Serviço Social - ArcelorMittal Tubarão

Quando pegar dinheiro emprestado?

As pesquisas sobre endividamento das famílias mostram que mês a mês os índices vêm subindo como conseqüência da série crise econômica, associada ao elevado desemprego, taxas de juros estratosféricas, inflação taxa de câmbio elevada. Para muitas famílias o salário acaba antes do mês e a saída que encontram é usar algumas linhas de crédito oferecidas pelos bancos. Assim é muito importante atentar para as tais linhas de crédito como, o cheque especial o cartão de crédito, o crédito direto ao consumidor – CDC e o empréstimo consignado. As duas primeiras linhas de financiamento são as que cobram as maiores taxas de juros, por isso muito cuidado ao usá-las.

O cheque especial

A maioria dos bancos oferece o “bem dito” ou “mau dito” cheque especial e muitas vezes o limite chega a ser muito superior ao seu salário, de duas a três vezes e isso passa a ser um forte combustível para a sua utilização. Pode ser que em alguns momentos haverá necessidade de utilizar o dinheiro disponível, mas se isso vier a ocorrer deve ser um muito pouco tempo, mas lembre-se que estarão incorrendo juros elevados durante os dias que em que for utilizado. Utilizar o cheque especial por muitos dias, ou mesmo ser incorporado a sua renda certamente comprometerá muito a sua saúde financeira. Para se ter uma idéia de como age a taxa de juros sobre o cheque especial, veja o seguinte exemplo: você utilizou R$ 1.000,00 durante 6 meses e resolve quitar a sua dívida. Suponha que a taxa de juros seja de 10% ao mês (alguns bancos e essa taxa já ultrapassa os 12% ao mes), então depois de 6 meses você estará devendo R$ 1.771,56, isto é, estará pagando R$ 771,56 de juros mais os encargos financeiros (IOF).

O cartão de crédito

Muita atenção com esta modalidade de financiamento. O nome é CARTÃO DE CRÉDITO; isto significa que quando você utiliza o cartão de crédito para fazer uma compra, na realidade você está tomando um empréstimo junto à instituição bancária e com uma taxa de juros muito alta, chegando em algumas instituições no entorno de 20% ao mês. Vamos utilizar o mesmo exemplo anterior: R$ 1.000,00 com uma taxa média mensal de 18% a sua dívida depois de um ano é de R$ R$ 7.287,59 além de outros encargos financeiros. Para se ter uma idéia, de como a taxa de juros castiga as nossas finanças, esses mesmo R$ 1.000,00 depois de 3 anos estará valendo mais de R$ 380.000,00, ou seja o preço de um bom imóvel num bairro nobre da Grande Vitória.

O cartão de crédito bem utilizado tem uma série de vantagens e uma delas é não precisar carregar dinheiro e eliminar uma série de burocracias na compra de um produto mais caro, como por exemplo, uma televisão, entretanto se no dia do vencimento da fatura você não quitá-la integralmente tem início um processo de endividamento e precisará de muita disciplina para reorganizar a sua vida financeira.

Crédito direto ao consumidor

É uma outra modalidade de financiamento com uma taxa de juros menor do que nas outras duas modalidades; em média 6% ao mês e muito utilizado na compra e bens de consumo duráveis – televisão, geladeira, veículos, motos, etc. Costumam ser interessante para os bons clientes dos bancos, uma vez que você paga o preço à vista ao estabelecimento comercial e o financiamento ao banco que oferecer a menor taxa de juros.

Empréstimo consignado

É a modalidade de empréstimo mais barato e está sendo muito utilizado. As taxas de juros giram entorno de 2% ao mês, uma vez que o pagamento dos empréstimos é realizado pelo desconto na folha de salário do empregado, o que significa baixo risco para o credor. Por outro lado normas do governo limitam o limite de quanto o empregado pode comprometer com o pagamento das parcelas, atualmente 30% do salário.

Muitos bancos estão oferecendo esta modalidade de empréstimo para quitação das dívidas com as outras modalidades de financiamento, principalmente com o cheque especial e o cartão de crédito. É uma excelente alternativa para gradativamente ir recuperando a saúde financeira das pessoas endividadas, pois estarão trocando dívidas com taxas médias de juros mensais de 12% para 2%.

Por outro lado, devem ser cessadas imediatamente a utilização do cartão de crédito e o cheque especial até que toda a dívida tenha sido paga e paralelamente a isto que se coloque em prática a gestão do ORÇAMENTO FAMILIAR, utilizando planilhas ou softwares de aplicativos específicos, lembrando sempre que toda a família deve participar.

Mario Vasconcelos - Consultor financeiro

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